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segunda-feira, 11 de abril de 2011

FMI

Uma equipa do Fundo Monetário Internacional, começa amanhã a auditar as contas nacionais, para saber ao certo quanto terá que emprestar a Portugal nos próximos tempos. Utilizando, mais ou menos, as palavras da ministra alemã, primeiro analisámos as contas para sabermos ao certo ao que contar. Medida mais que correcta e acertada. Mas isto acarreta certas indecisões sobre a nossa vida e o nosso estilo de vida.
Como empregado de mesa aprendi a ver o estado do País pelos meus clientes, pelo seu comportamento, pela maneira como me tratavam e como pagavam e o que deixavam de gorjeta. Vejamos a situação actual do País, através deste ponto de vista: ao longo destes últimos seis meses, para além das alturas festivas e eventos como restaurante week, o número de clientes nacionais, progressivamente, tem vindo a aumentar no restaurante onde trabalho, estes, na faixa etária dos 20-30 anos comporta-se como se não existisse amanhã, sem preocupações com o país e com os seus cidadãos. Estes clientes não tem conhecimento sobre o que pedem, sobre o que estão a comer, a maior parte só utiliza estes espaços como meio de contacto social. Gorjetas? nada!!! A seguir temos a faixa etária mais interessante 30-50. Estes, com conhecimento, cresceram a brincar na rua, com contacto físico com outras pessoas e utilizam os restaurantes como meio de conhecimento novos pratos e novos vinhos. São conhecedores, tratam com respeito quem os atende e deixam, quase sempre boas gorjetas. Aqueles, que neste grupo se afastam deste padrão, são os conhecidos como novos-ricos, elementos da nossa sociedade, que a meio do seu crescimento são surpreendidos com grandes quantias de dinheiro e que não sabem o que fazer senão dar cabo da cabeça aos empregados, com perguntas estúpidas. Um exemplo: esta semana recebi um e-mail de um cliente, desesperado, porque tinha adorado o nosso menu do Lisbon Restaurant Week e que gostaria de fazer uma reserva, mas só tinha um problema que não sabia como resolver. Advinham qual? É que ele não sabia como fazer a reserva. Pois! A minha resposta foi através do mesmo meio que nos contactou anteriormente.
Por último, a faixa dos 50-70, é minha predilecta. Conhecedora, inteligente, capaz de se deslumbrar até com uma saudação simples, simpática, simples e gastadora.
Análise dos meios de pagamento: a data em que os portugueses passavam do MB ou dinheiro para crédito situava-se ao dia 10 e 12 de cada mês, agora estica-se até ao dia 15 a 18 de cada mês. Cenários possíveis: os portugueses aprenderam a poupar; estão a ganhar mais; ou, estão a gastar menos em algumas coisas e mais noutras.
Mas, e isto é uma conclusão um tanto precipitada pois a cama chama, os mais novos, mesmo os da geração à rasca, não se preocupam com o amanhã. Vivem em casa dos pais o tempo que for necessário, e tudo aquilo que ganham, gastam neles próprios e na sua vida social. As gerações seguintes, esforçam-se para pagar as contas, mas tentam manter um pouco de vida social para as suas vidas não ser uma luta constante de casa-trabalho-casa.
Para terminar, as gorjetas diminuem de quinzena em quinzena, mas ainda bem que temos clientes estrangeiros, pois alguns deles, deixam mesmo 10%.

Até lá...................

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